TER NÃO É SER




No mundo capitalista e globalizado em que vivemos, é muito comum atribuir valor as pessoas em razão dos bens que elas possuem. Assim uma pessoa conquista maior importância na sociedade quanto maior for o seu poder aquisitivo e maior a quantidade de bens que possui. Aqueles que tem menor ou nenhum poder aquisitivo estão em constante busca para melhorar seus rendimentos e também adquirir bens para subir de degrau na escala social e sentirem-se mais valorizados e importantes.

É justamente essa ambição que os profissionais da propaganda utilizam para transformar suas campanhas publicitarias em instrumentos infalíveis na campanha do consumidor. Geralmente aliam a ideia de ascensão social, felicidade e prazer ao consumo dos produtos mais prejudiciais tanto à saúde das pessoas que o consomem quanto ao meio ambiente, tais como cigarro, bebidas e automóveis.

O massacre à consciência humana é ato grande que algumas pessoas com menor poder aquisitivo deixam de comprar gêneros de primeira necessidade, como alimentos e medicamentos para consumirem roupas, calçados, cds, etc.

Atualmente as crianças são um alvo fácil, pois ficam muito tempo sozinhas, em casa, enquanto seus pais trabalham para aumentar o poder aquisitivo da família, passam o dia entregues a babá eletrônica, a televisão, que destina um tempo imenso a propaganda de produtos em geral desnecessários à pessoa, mas que em sua ingenuidade as crianças passam a considerar como de primeira necessidade transformando-se em ambições que vão fundamentar seus projetos de vida. Essa não é uma base de educação satisfatória para formar cidadãos e consumidores conscientes. As crianças necessitam de estímulos que as levem a refletir sobre o significado e a finalidade do consumo para tornar-se pessoas capazes de escolher entre o superficial e o supérfluo, entre o prejudicial e o benéfico, entre o bem de valor verdadeiro e o bem de valor forjado pela ilusão do prazer felicidade e ascensão social que a propaganda lhe atribui.

O sistema capitalista tem como principal fonte de equilíbrio o consumo, sem ele toda a estrutura da cadeia produtiva desmoronaria, gerando o desemprego, a queda do poder aquisitivo e do próprio consumo num verdadeiro circulo vicioso que não pode sofrer colapsos. A propaganda veiculada com muita eficácia pelas mídias das mais avançadas como tv, jornal, internet, etc. é o principal instrumento de incentivo ao consumo, e portanto, de sustentação do sistema capitalista. Por esse motivo o consumidor precisa estar muito atento aos apelos da propaganda para avaliar se necessita realmente daquele bem ou se pode perfeitamente ser feliz e viver sem ele.

Para que esse consumidor cidadão, consciente de suas necessidades e possibilidades, se torne cada vez mais presente na sociedade é preciso desvincular o ter do ser, pois felicidade não se encontra em fatores externos que possam ser adquiridos pelo dinheiro, ela está na satisfação de ser alguém capaz de elaborar e por em prática projetos de vida com bases muito mais sólidas do que apenas posse de bens fúteis e muitas vezes inúteis.